InícioDesportoColombiano ganha etapa nas Beiras mesmo sem salário

Colombiano ganha etapa nas Beiras mesmo sem salário

(c) João Fonseca

O ciclista colombiano Omar Mendoza deu hoje a primeira e última vitória à efémera Equipo Bolivia, ao conquistar a segunda etapa do Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela, que continua a ser liderado pelo russo Alexander Evtushenko (Lokosphinx).

A felicidade instantânea de Mendoza, que saltou do pelotão na parte mais dura da segunda tirada apenas para tentar defender a camisola da montanha, passou os fugitivos e cruzou isolado a meta em Trancoso, contrasta com a triste realidade da sua equipa, condenada a um final abrupto, a acontecer nos próximos dias, por falta de dinheiro.

“Esta é a primeira e a última vitória para a equipa”, corrigiu quando questionado sobre como se sentia por ter conseguido aquele que, muito possivelmente, será o único triunfo da formação nascida este ano.

Nem os salários em atraso e as dificuldades evidentes que a Equipo Bolivia enfrenta – mesmo o abastecimento dos corredores é escasso – tirou forças a Mendoza, que pedalou contra o pelotão para dar um prémio a todos os seus companheiros.

“Estou muito contente com esta vitória. É uma etapa muito merecida por toda a equipa. Esta vitória é para todos aqueles que confiaram em nós. É uma lástima que a equipa vá acabar”, lamentou o vencedor de uma tirada que não alterou as contas da geral.

 

Omar Mendoza atacou na reta final e ganhou uma vantagem superior a três minutos, que foi gerindo de modo a chegar isolado à meta, com o tempo de 05:09.16 horas.

Enquanto o corredor da efémera Equipo Bolivia, na qual alinha o português Nuno Meireles, se abraçava aos seus companheiros e aos emocionados elementos do ‘staff’, lá atrás os mais rápidos do pelotão disputavam o segundo lugar, com o espanhol Vicente García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) a levar a melhor sobre o português Daniel Mestre (Efapel).

Dentro do grupo, a 16 segundos, chegaram o camisola amarela, Alexander Evtushenko (Lokosphinx), e os seus mais diretos perseguidores na geral, com o russo a manter os oito segundos de vantagem sobre o segundo classificado, o português Ricardo Mestre (W52-FC Porto), e dez sobre o terceiro, o espanhol Jesús del Pino (Efapel).

Apesar de ser segundos, é Mestre que parte como grande favorito à final da segunda edição da prova beirã, já que a terceira e última etapa, uma ligação de 163 quilómetros entre Belmonte e Manteigas, que inclui a escala à Torre, antes da descida até à meta, é mais talhada para as suas características.