InícioCulturaUma região de afetos lida através das palavras

Uma região de afetos lida através das palavras

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O diretor do Jornal do Fundão, Nuno Francisco, sustentou durante apresentação do seu livro “Palavras ao Longe”, no qual reúne alguns dos seus editoriais que escreveu entre 2013 e 2016, que quando se fala de uma visão regionalista abrangente “quer dizer que temos de ser nós, todos nós, a tratar dos nossos problemas. Todos em conjunto, enquanto região”, sublinhou.

No auditório da Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, no Fundão, que esteve repleto apesar do temporal que na tarde do passado sábado, 4, afetou a região, o jornalista enfatizou que “ o Jornal do Fundão será sempre a última voz a calar-se na defesa da Beira Interior. Não pode ser de outra maneira”, frisou.

“As pessoas que vêm cá sabem que esta é uma geografia belíssima, com potencialidades. No entanto quem olha para os dados oficiais, para aqueles números frios do INE e que temos de relatar, parece que este é um território repulsivo. Não é verdade”, afirmou durante a sessão pública iniciada com um momento musical protagonizado pela soprano Heloísa Simões. No encontro também participaram e intervieram o presidente da Câmara Municipal do Fundão, Paulo Fernandes e o presidente da Faculdade de Artes e Letras da UBI, o professor catedrático Paulo Serra, autor do prefácio da obra, com cerca de 200 páginas, editada pela “A.23 Edições”.

“Esta região não é pobre. Somos nós”, afirmou o responsável do JF, lembrando palavras do fundador do Jornal, António Paulouro, depois de insistir na ideia que “temos de ser todos nós a tratar do território”. Segundo Nuno Francisco, “é esta a questão que todas as semanas tento traduzir para as páginas do Jornal através dos editoriais, porque é algo que esteve sempre em mim, mas que foi ampliado pelo facto de ter entrado para o JF, em 1999, e de ter tido mestres como Fernando Paulouro”, destacou.

Crise medo e outras inevitabilidades; O tempo e o silêncio, A esperança e a desilusão; Olhar os lugares, sentir a Beira e o resto; As palavras, as intenções e os atos são os capítulos do livro que o presidente da Câmara do Fundão considera “um ato muito feliz, um ato de cidadania e cultura”. Paulo Fernandes que fez questão de acentuar “a amizade de sempre” com o autor, afirmou que os textos agora reproduzidos em livro, “mantêm a tradição do JF de um jornalismo de causas, de compromissos e com enorme pendor humanista”.

“Considero o Nuno Francisco uma das pessoas mais corajosas que conheço”, enalteceu o autarca para quem a palavra escrita do Diretor do JF representa a “alta densidade dos afetos, dos sentimentos, que nos ajudam a superar as agruras”. Paulo Fernandes concluiu afirmando que “a utopia também tem muito cabimento neste livro. Acredito na utopia e sei que com o Nuno Francisco a escrever e a partilhar as suas ideias ela tornar-se-á para todos nós um pouco mais tangível”.

Uma das vantagens do livro “é de, por um lado, reunir e, por outro, garantir uma certa permanência de textos” onde a “solidariedade e a justiça são denominadores comuns”, elogiou Paulo Serra na apresentação da obra. “A Beira Interior tem sido imaginada em grande medida pelo JF e o Nuno Francisco aparece nessa continuidade de imaginar aqui uma geografia afetiva a que chamamos Beira Interior”, afirmou o professor da UBI que concluiu a sua intervenção com um repto ao autor para “futuramente se lançar a escrever uma obra literária de ficção”.