InícioCulturaOs trilhos da poesia e da saudade de Eugénio

Os trilhos da poesia e da saudade de Eugénio

Quando em 2002, o município do Fundão atribuiu o nome de Eugénio de Andrade à biblioteca municipal, o poeta confessou ao então vereador da Cultura, hoje presidente da Câmara, que aquela era “a maior honra” recebida. A homenagem ao poeta nascido na Póvoa da Atalaia, naquele concelho, acaba de ser alargada com a abertura da Casa da Poesia Eugénio de Andrade, naquela aldeia onde o poeta viveu só até aos 10 anos mas da qual nunca se separou.

O espaço interpretativo dedicado à vida e obra do poeta, instalado na antiga escola primária, tem o percurso biográfico e a obra literária do poeta com recurso a textos, imagens, objetos e vídeos. Vários os manuscritos escritos pela mão do porta estão ali expostos, como o de uma folha timbrada do restaurante “Palmeira”, na rua Sá da Bandeira, no Porto, na qual Eugénio de Andrade escreveu o poema “Cristalizações”. Estão ali também expostos um dos seus pares de sapatos e um prospeto, oferecido pela Sociedade dos Amigos do Museu Tavares Proença Júnior ao Fundão, da sessão de leitura que o Eugénio de Andrade fez em Castelo Branco em 1975. Ficará ali também um manuscrito do poeta, oferecido por António Oliveira, um dos estudiosos portugueses da obra de Eugénio de Andrade.

Na antiga escola primária, que vai estar aberta ao público sempre que existir marcação prévia para visita que é gratuita, está ainda “A Raiz das Palavras”, a exposição de poemas de Eugénio de Andrade que, em 2003, integrou o projeto “Rota dos Escritores do séc. XX”, promovido pela Comissão de Coordenação da Região Centro. Foi inaugurada na Junta de Freguesia da Póvoa de Atalaia, juntamente com a exposição “Por Eugénio de Andrade”, no dia em que o escritor cumpria 80 anos de vida. O próprio Eugénio concebeu as duas exposições, escolhendo todos os conteúdos.

Toda a reportagem na edição impressa do JF.

Célia Domingues