InícioCulturaJovem guitarrista fundanense vai atuar em Viena

Jovem guitarrista fundanense vai atuar em Viena

Aos 17 anos, Manuel Toucinho tem o seu caminho traçado. Quer ser concertista e diz que trabalhará o que for necessário para lá chegar. Estuda, invariavelmente, uma média de três a quatro horas por dia, numa atitude de grande disciplina e dedicação que tem produzido excelentes resultados.

Os prémios confirmam o talento deste jovem guitarrista, que é aluno da Academia de Música e Dança do Fundão. Começou a tocar aos seis anos. Sabe que o talento ajuda muito, mas que, por si só, não é suficiente para o fazer chegar onde quer, apostando no trabalho para ir consolidando um percurso que vai sendo marcado pelo mérito. Já conquistou cerca de uma dúzia de prémios, alguns deles internacionais. Ganhou o primeiro aos 9 anos no concurso da Academia de Música e Dança do Fundão.

“Foi um terceiro prémio. É claro que fiquei feliz, mas acho que não foi assim tão importante”. Diz que os prémios ajudam a motivar, mas sabe que sem esforço, determinação e persistência nada se consegue. Ao trabalho diário alia o prazer de tocar guitarra. Manuel Toucinho sabe que tem que ser assim para tornar o sonho realidade: ser guitarrista, professor e realizar concertos. Ou seja, seguir as pisadas do pai. O jovem guitarrista é filho de Pedro Rufino, que é professor de guitarra na Academia de Música e Dança do Fundão. Nasceu e cresceu entre acordes e é no meio musical que se imagina a trabalhar.

“Fui muito influenciado pelo meu pai. Sempre o ouvi tocar e comecei a interessar-me pela guitarra. Fui aprendendo e comecei a gostar cada vez mais, até ter a certeza de que é isto que quero fazer na vida”, explica com convicção.
Reconhece que é uma sorte ter o professor em casa. “É uma vantagem porque o professor está sempre ali, à mão. Sou um sortudo”, reconhece a sorrir.

Conquistou, recentemente, o primeiro prémio num concurso em Viena de Áustria. Um prémio que lhe ofereceu a possibilidade de ir tocar, no próximo dia 22 de setembro, numa das grandes salas de espetáculos da capital austríaca.
Está entusiasmado. “É um concurso a que se submete uma gravação. Submeti uma gravação feita durante o recital que realizei no mês de maio no Casino Fundanense. Tive a felicidade de conquistar o 1.º prémio, numa prova a que se submeteram muitos guitarristas”.

Diz que sempre gostou da guitarra e que os bons resultados que foi obtendo o ajudaram a manter a ligação àquele instrumento, mesmo no início da adolescência, quando são mais as dúvidas do que as certezas sobre as opções e sobre o caminho a seguir.

“Para mim, o prémio mais importante que já alcancei até agora foi o 1.º lugar como Jovem Promessa, no ano passado em Espanha, num dos melhores festivais de guitarra daquele país – Festival Internacional José Tomás Villa de Petrer (Espanha) (perto de Valência) entre cerca de 15 concorrentes.

Porquê? “Porque em termos de guitarra é um festival muito importante. É um festival, que reúne alguns dos melhores guitarristas”, explica Miguel Toucinho, acrescentando que, para além de significar um valor pecuniário (500 euros), o prémio lhe deu também a possibilidade de tocar em dois festivais de guitarra em Espanha. Já tocou num deles e conta que foi uma experiência muito especial, dado ter tido a sorte de conhecer aquele que é o seu maior ídolo como guitarrista: David Russel, vencedor de um Grammy há alguns anos.

“Foi uma oportunidade extraordinária. E que correu muito bem”, reconhece, falando da sua prestação de meia hora, na Ermita de São Bonifácio, em Espanha, numa sala completamente cheia. Nunca tinha tocado para tanta gente. Foi muito bom!”.

No próximo mês de novembro, o jovem guitarrista participará noutro espetáculo como convidado, no âmbito de um outro festival em Espanha. Participará ainda na qualidade de vencedor do 1.º prémio Jovem Promessa no ano passado.

Os palcos e o público não mexem com os nervos de Manuel Toucinho, o que reconhece ser uma vantagem comparativamente com outros jovens a concorrentes de guitarra que ficam nervosos.

“Trabalho todos pormenores durante horas, se for preciso. Preparo-me muito bem e depois sinto-me, quase sempre, tranquilo. Sou eu e a minha guitarra. Consigo abstrair-me de tudo o resto, até ao fim, quando começo a ouvir os aplausos, que me deixam sempre muito feliz. Trabalho os pequenos detalhes e isso tem-me ajudado muito a ficar tranquilo durante os concursos e os festivais”, reconhece o jovem instrumentista.

Diz que não foi difícil chegar até aqui, mas que o segredo é o trabalho. Muito trabalho. Toca uma média de três a quatro horas por dia, embora reduza ligeiramente em tempo de férias. Vai para o 12º. ano e, simultaneamente, para o último grau de música na Academia.

Quer prosseguir os estudos de guitarra na Universidade de Évora. Manuel Toucinho vai conseguir. E nós vamos, certamente, continuar a ouvir falar dele.

Lúcia Reis