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O adeus do cronista e escritor Baptista-Bastos

Baptisa-Bastos com Fernando Paulouro, antigo diretor do JF

O jornalista, cronista e escritor Armando Baptista-Bastos morreu esta terça-feira, em Lisboa, aos 83 anos.

Entre outros meios de comunicação social, Baptista-Bastos colaborou durante cerca de cinco décadas com o Jornal do Fundão, onde deixou plasmado o seu talento em inúmeras crónicas. Textos nascidos na argúcia da análise daquilo que o rodeava, sempre com especial ênfase na dignidade do Homem.

Firme defensor da liberdade, transportava para cada um dos seus textos a condição de quem não se vergava a nenhum interesse a não ser àquele que ele tinha como fundamental: a dignidade da condição humana.

Baptista-Bastos trabalhou nos jornais República, O Século, Diário Popular, onde, na década de 1960, manteve a rubrica semanal “Letra de Repórter”. Foi ainda fundador do semanário O Ponto, no qual “realizou uma série de 80 entrevistas que assinalaram uma renovação naquele género jornalístico e marcaram a época”, segundo a biografia disponível na página do Jornal de Negócios, onde o texto mais recente que assinou data de 3 de março.

Baptista-Bastos trabalhou também na Rádio e Televisão Portuguesa, no Rádio Clube Português, na Rádio Comercial e na RDP-Antena 1. Jornalista desde os 19 anos, quando começou n’O Século, Baptista-Bastos estreou-se editorialmente com o ensaio “O Cinema na Polémica do Tempo” (1959), a que se seguiu outro ensaio, “O Filme e o Realismo (1962). Data de 1963 a sua estreia na ficção com “O Secreto Adeus”.

Baptista-Bastos é autor de mais de duas dezenas de livros, entre os mais recentes cite-se “A Bolsa da Avó Palhaça”, o livro de crónicas “A Cara da Gente” e “As Bicicletas em Setembro”.

Baptista-Bastos publicou mais de uma dezena de títulos de ficção, entre os quais “Cão Velho entre Flores” (1974), “A Colina de Cristal” (1987), “O Cavalo a Tinta-da-China” (1995) e “No Interior da Tua Ausência” (2002).

Ao longo da carreira, o autor conquistou vários prémios, designadamente, o Prémio Literário Município de Lisboa, em 1987, pelo romance “A Colina de Cristal”, que lhe valeu também o Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção, no ano seguinte.

Em 2002, recebeu o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, pela obra “No Interior da Tua Ausência”. Em 2003, venceu o Grande Prémio de Crónica da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro “Lisboa Contada pelos Dedos”.

Em 2006, recebeu os prémios de Crónica da Sociedade da Língua Portuguesa, João Carreira Bom, e do Clube Literário do Porto.

Nesse ano, em declarações à agência Lusa, afirmou que “a crónica, que é um compromisso entre a notícia e o conto e um produto de altíssima expressão literária, típico da imprensa escrita, está hoje arredada dos jornais”.