InícioCovilhãManifestação no Teixoso contra encerramento da Caixa

Manifestação no Teixoso contra encerramento da Caixa

A população do Teixoso, concelho da Covilhã, manifestou-se na tarde desta sexta-feira contra o encerramento do balcão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) naquela localidade, decisão confirmada por fonte oficial da CGD.

“Como é do conhecimento público e consta do plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, previamente acordado com as autoridades europeias, está prevista a realização de um programa de restruturação da rede de agências, à semelhança da restante banca portuguesa. A agência de Teixoso será encerrada, mas os clientes serão integrados na agência da Quinta das Palmeiras, na Covilhã”, refere a fonte da CGD.

Uma decisão que na localidade não é bem aceite, como ficou claro durante o protesto em que foram entoadas frases como: “a Caixa é do povo, a Caixa é de todos”, “respeito pelos pobres”, “precisamos da Caixa aqui”, “a Caixa é nossa”.

“Isto é a prova de que toda a gente está contra. E o povo não se vai calar e estamos prontos para ir a Lisboa. Não aceitaremos que nos tirem o pouco que ainda temos”, disse o presidente da Junta de Freguesia do Teixoso, José Valério.

O autarca de freguesia foi no início da semana surpreendido com a informação informal de que aquela agência ia fechar no dia 31 de março, uma medida que classifica como “absurda”, “lesiva dos interesses de todos” e que espera que ainda possa ser revertida.

“Temos um mês para lutarmos e é isso que vamos fazer”, sublinhou, explicando que está já a ser preparada uma manifestação em Lisboa e que também já foi posto a circular um abaixo-assinado contra o encerramento.

Segundo referiu, em dia e meio o documento foi subscrito por 3.500 pessoas, sem contar com as centenas que também o assinaram durante a ação de protesto realizada hoje em frente ao balcão que irá encerrar.

Teresa Rebelo, natural do Teixoso, foi uma das que fez questão de colocar o seu nome na petição, já que considera o fecho deste balcão irá prejudicar, não só a própria freguesia, como todas as freguesias vizinhas.

“É o cúmulo, uma vergonha. Sou cliente há mais de 20 anos e não posso acreditar que queiram ir para a frente com uma medida que prejudica tanto os que aqui vivem”, disse.

Argumentos que se repetem na voz de Luciano Leitão, natural da freguesia vizinha de Verdelhos, que também é cliente desta agência, “desde sempre”.

“Deviam pensar nas pessoas mais velhas, naqueles que têm dificuldade de locomoção e pouco dinheiro para fazerem face às despesas de transporte. Além disso, os balcões da Covilhã já estão mais do que lotados”, apontou.

A distância, a falta de transportes, o facto de este ser o único balcão da zona norte do concelho e de servir várias localidades, bem como a idade dos clientes ou o pouco conhecimento que estes têm para lidar com meios informáticos e novas tecnologias de informação são argumentos repetidos na voz de todos, nomeadamente dos políticos de diferentes cores partidárias e de sindicalistas que também marcaram presença no protesto.

Igualmente presente esteve o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Vítor Pereira, que explicou aos presentes que já pediu formalmente e com caráter de urgência uma reunião ao presidente da CGD, além de também já ter estabelecido contacto com membros do Governo no sentido de os sensibilizar para a necessidade de se manter em funcionamento este balcão, que “presta um importante serviço público à população”.

“Não nos vamos conformar com esta decisão que, uma vez mais, foi traçada a régua e esquadro e sem ter em consideração a realidade do território e as necessidades da população”, vincou.

Em reunião de executivo realizada durante a manhã de hoje, e por proposta do vereador da CDU, os vereadores desta autarquia do distrito de Castelo Branco tinham já aprovado por unanimidade uma moção de repúdio que será enviada às diferentes entidades nacionais.

Catarina Canotilho