InícioCovilhãJulgamento do caso da Torá da Covilhã arrancou hoje

Julgamento do caso da Torá da Covilhã arrancou hoje

O Tribunal de Castelo Branco começou hoje a julgar a ação intentada em tribunal por um empresário que diz ter adquirido uma Torá com 400 anos, que se encontra na posse do município da Covilhã.

Na primeira sessão de julgamento, o tribunal ouviu a primeira e mais relevante testemunha do processo, por ser, alegadamente, o autor do achado, cuja descoberta foi revelada em setembro de 2016.

“Encontrei-a há muitos anos e no início nunca dei valor. Andou a rebolar e tinha-a no sótão guardada. Tenho a peça [Torá] desde 1998/1999”, frisou a testemunha João José Leitão, explicando que que antes de vender a Torá ao empresário e autor do processo, José Manuel Correia, mostrou-o a um arqueólogo que estava na Universidade da Beira Interior (UBI), que lhe pediu para fotografar o documento, e a outra técnica daquela instituição de ensino superior público, que o aconselhou e se ofereceu para limpar a Torá gratuitamente, para evitar a sua degradação.

Segundo a testemunha, mais tarde esta técnica pediu-lhe para deixar a peça numa exposição promovida pelo município da Covilhã, no distrito de Castelo Branco, ao que acedeu com a condição de que a Torá lhe fosse entregue, uma vez que a doou ao filho.

Alegando dificuldades financeiras, João José Leitão vendeu a Torá ao empresário e autor do processo, José Manuel Correia, pelo valor de 100 mil euros, dinheiro esse que recebeu em numerário.

O empresário da Covilhã, que diz ter adquirido a Torá com 400 anos, intentou uma ação em tribunal para que a autarquia lhe entregue o documento que tem em sua posse, já que a Câmara considera que este documento judaico deve ser mantido no domínio público, dada a sua relevância cultural.

Durante a sessão, os advogados da Câmara da Covilhã optaram por uma estratégia de desacreditação da testemunha que alega ter encontrado o documento dentro de uma arca que terá vindo com o entulho de uma das muitas demolições que diz fazer