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Recursos genéticos do medronheiro em perigo

Foram conhecidos alguns dados que apontam para o perigo de extinção dos recursos genéticos dos medronheiros se não forem tomadas medidas importantes relacionadas com as sementes. Margarida Ribeiro, do Centro de Estudos Florestais (CEF) e professora no Politécnico de Castelo Branco e no Instituto Superior de Agronomia.

“Os recursos genéticos [do medronheiro] estão em perigo, se a domesticação não for feita com cuidado e devido ao aquecimento global e à fragmentação do seu habitat”, explicou hoje à Lusa.

A investigadora e docente deixa também este alerta no artigo “Genetic diversity and divergence at the Arbutus unedo L. (Ericaceae) westernmost distribution limit”, que foi publicado na revista norte-americana PLOS ONE e que resulta do projeto “Arbutus”, da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), iniciado em 2013 e que decorreu durante dois anos e meio.

Margarida Ribeiro sublinha ainda a necessidade do uso sustentado da espécie e deixa o alerta às pessoas para que usem a semente apenas dentro da sua região, isto é, para se constituírem novos povoamentos de medronheiro, a semente deve ser recolhida dentro das regiões homogéneas e não devem ser trazidas, por exemplo, sementes do sul para o centro do país.

“Há três regiões homogéneas geneticamente diferentes entre si no país: Norte, Centro e Sul, e um povoamento diferente de todos, na serra de São Mamede”, sublinhou.

Chama também à atenção para a legislação existente que define os materiais para florestar, mas onde não consta o medronheiro: “Como não há legislação [sobre o medronheiro], provavelmente os viveiristas vão buscar semente onde ela existe”.

A investigadora defende que os viveiristas devem saber de onde vem a semente e devem informar quem a compra para evitar que haja misturas.

“Se isso não acontecer, temos como consequência que os recursos genéticos ficam em risco”, conclui.