InícioCastelo BrancoManifestação contra poluição do Tejo junta 500 pessoas

Manifestação contra poluição do Tejo junta 500 pessoas

(c) Jorge Santiago e Carlos Canau

Cerca de cinco centenas de pessoas manifestaram-se este sábado no cais fluvial de Vila Velha de Ródão contra a poluição do rio Tejo e seus afluentes.

“É necessário que o Ministério do Ambiente e a Agência Portuguesa do Ambiente tenham mão firme [sobre os poluidores] porque o diagnóstico está feito”, disse Samuel Infante, da Quercus, associação ambientalista que integra o movimento proTEJO, que organizou esta manifestação.

O ambientalista sublinhou que continuam a registar-se descargas poluidoras diariamente, situação que diz não poder continuar.

“É possível um desenvolvimento sustentado desde que quem atribui as licenças tenha vontade política de cumprir a lei”, frisou.

Os manifestantes, que se concentraram no cais fluvial de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, iniciaram depois uma marcha que culminou com a leitura de um manifesto em frente aos portões da empresa Celtejo, fábrica de pasta de papel da Altri.

À Lusa, Carla Graça, da associação ambientalista Zero, realçou a “incapacidade” das autoridades competentes para resolver a situação da poluição no rio.

“Há uma incapacidade das autoridades competentes para solucionar o problema. Têm de ser os cidadãos a exigir que se resolva este problema. Isto é inadmissível num Estado de direito”, sustentou.

Paulo Constantino, porta-voz do movimento proTEJO, disse que a manifestação foi convocada para Vila Velha de Ródão por ser “a zona onde se tem verificado maiores níveis de descargas poluentes, estando ali identificadas as empresas poluidoras na região com descargas em níveis acima do permitido e que vêm agravar o estado do rio Tejo para jusante, em todos os municípios até Santarém”, num troço de cerca de 150 quilómetros.

Ambientalistas espanhóis culpam Madrid

O responsável da plataforma espanhola Red del Tajo, Alessandro Cano, disse que o problema da poluição no Tejo começa em Espanha e vem “essencialmente de Madrid”, que exerce “enorme pressão” no rio.

“O problema [poluição] começa em Espanha. A poluição vem essencialmente de Madrid, cuja população e as suas indústrias exercem uma pressão muito grande sobre o rio Tejo”, afirmou o ambientalista.

“Viemos solidarizar-nos com o protesto português que é também um protesto espanhol, porque partilhamos um mesmo rio, problemas de contaminação e uma península”, explicou Alessandro Cano, enquanto segurava um cartaz com a frase “Por un Tajo vivo, Tranvases no” (“por um Tejo vivo, descargas não”).