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Castelo Branco quer levar o campo para dentro da cidade

Castelo Branco zonas verdes

As cidades não se fazem só de betão. Até início de 2018 vão abrir três parques urbanos a partir da reabilitação de 50 hectares de área verde

Em qualquer cidade, as áreas de contacto com a natureza são lugar de (re)encontro, de espaço de recreio e descanso mas também local de produção agrícola.

Nos próximos dois anos vão “entrar” em Castelo Branco 47 hectares de áreas verdes. O município está a reabilitar duas quintas e uma propriedade, ficando para 2018 a reabilitação de mais dois parques urbanos: na Cruz do Montalvão (conhecido como “Campo de Tiro”, junto à rotunda que dá acesso ao Nercab) e no Vale da Europa (próximo da rotunda com o mesmo nome, que tem uma cascata de água).

Nesta estratégia de valorização do espaço verde procura-se estreitar relações entre a cidade e a sua periferia, através do encontro da cidade com o campo.

Em fevereiro é lançado o concurso público, no valor de 900 mil euros, para adjudicação da obra de transformação dos primeiros 14 hectares do zona do Barrocal em parque natural.

Visto como uma zona “à margem” de Castelo Branco – talvez porque o acesso principal se faz pelo outro lado da linha do comboio – a zona do Barrocal vai finalmente ganhar maior dignidade. Com uma vista privilegiada para cidade (como mostra foto acima), no Barrocal, feito de enormes pedras e vegetação, ficará instalado um miradouro no ponto mais alto da zona, no marco geodésico.

Tal como o JF verificou no projeto de arquitetura, as pessoas poderão passear sobre 2500 metros de passadiços em madeira que ligarão as grandes rochas. O Barrocal ficará ainda apetrechado com uma zona de merendas, um parque infantil com equipamentos inovadores para as crianças, privilegiando a utilização de materiais existentes na natureza. Haverá ainda uma zona para escalada. No meio das pedras que constituem o Barrocal nascerá um anfiteatro ao ar livre e uma zona dedicada à prática do BTT.

Daqui por um ano, período de execução da obra, o Barrocal, que continua até ao Monte de São Martinho, atualmente muito frequentado pelas suas cascatas, será devolvido à cidade no início de 2018, segundo a autarquia.

Quinta do Chinco abre no verão com 80 hortas sociais

Antes disso, no verão, abrirá portas a Quinta do Chinco, propriedade do município que lhe vai atribuir uma vocação de inclusão e dinamização social por via de mais de 80 hortas urbanas e sociais que ali estão a ser criadas. Neste espaço, que liga a Quinta da Carapalha ao Bairro Ribeiro das Perdizes, vão ser desenvolvidos, por via dos cidadãos, associações ou instituições, projetos sociais. “Pensamos que esta seja uma forma de integração social, ajudarmos pessoas a criarem projetos, outras a terem a sua horta até para subsistência”, explica Luís Correia, presidente da Câmara. Para quem não saiba os segredos da agricultura, serão ministradas ações de informação que serão desenvolvidas na casa, agora reabilitada, dos antigos caseiros da quinta. Na agricultura que se fará em hortas, o empreendedorismo será bem vindo.

A atribuição das hortas sociais obedecerá a um regulamento camarário, que será divulgado na primavera. O candidato saberá que terá direito a água (o sistema de rega está a ser a ser instalado) e a uma caixa de ferramentas. “Já não é uma estrutura básica, mas uma estrutura com uma componente social na cidade”, reforça Luís Correia.

A próxima quinta que também será reabilitada situa-se no Bairro do Cansado. Trata-se da Quinta do Moinho Velho, quatro hectares de área arborizada e com um velho casario. O projeto de arquitetura está concluído e o concurso para adjudicação da obra avaliada em cerca de um milhão de euros, “será lançado em fevereiro”, diz Luís Correia. A execução no terreno prolongar-se-á até final deste ano. Na Quinta do Moinho Velho funcionará um Centro de Oportunidades, que ficará sob tutela da autarquia, para acolher pessoas com dificuldade de integração social mas que revelem aptidões. “No fundo, queremos transformar aquele velho edifício situado à entrada da quinta num espaço de apoio a pessoas que procuram um percurso profissional”. A abertura está prevista para o início de 2018.

Nesse ano prevê-se a requalificação de mais duas áreas verdes. A reabilitação do parque urbano da Cruz do Montalvão está projetado pelo atelier de Verónica de Almeida, a vencedora do concurso de ideias promovido pela autarquia, em colaboração com a Ordem dos Arquitetos. Verónica de Almeida, arquiteta paisagista, está a desenvolver para o município o projeto de execução para aquele espaço. No parque ficarão definidos circuitos pedonais e ciclovias.

Alguns dos elementos do antigo “campo militar” serão preservados assim como a vegetação das antigas quintas e as oliveiras que “contam” a história do espaço. .

luis correia

Luís Correia projeta o lançamento da obra “durante o ano de 2018”

Também 14 hectares do vale da Avenida Europa, vão ser transformados num parque urbano, com aproveitamento, provavelmente, de água de antigas nascentes. “Vamos lançar durante o primeiro semestre de 2017 um concurso de ideias, em colaboração com a Ordem dos Arquitetos, da mesma forma como fizemos com a Cruz do Montalvão”, adianta Luís Correia que espera “no final do próximo mandato lançar a obra a concurso”.

As cidades não se fazem só de betão. Para Luís Correia, “não fazia sentido inverter este caminho de requalificação de espaços verdes”, que começou com a abertura em 2010 do Parque de Lazer e Lago Artificial. “Quando apresentámos a nossa estratégia para Castelo Branco dissemos que queríamos que fosse uma cidade verde e de cultura. Temos qualidade de vida, qualidade das infra estruturas, temos bons espaços públicos, pelo que estamos a apostar na diferenciação que será a imagem de Castelo Branco enquanto cidade”, frisa o autarca albicastrense. Paralelamente, lembra, o município planta em média 500 novas árvores por ano, um investimento que ronda os 20 mil euros.